terça-feira, 6 de março de 2012

quero fazer. preciso de tempo. vou precisar do tempo, não o posso emprestar.

sexta-feira, 2 de março de 2012

urgente focar. poder na concentração. palavra de ordem. palavra de honra.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

o pires do café caiu no chão e não partiu. fiquei com a chávena na mão ao longo da conversa e esqueci o pires pousado no recanto da grade. o café era curto, coisa que não aprecio. a esplanada está consumida do sol e o café curto parece-me sempre uma colher de xarope. invariavelmente, há cartas atiradas para cima de uma mesa de plástico que pode muito bem voar com o vento agreste. lembrei-me dos sapatos que não usava, faz tempo. calcei-os.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

uma pele que liga bem com a outra. e as mãos entrelaçadas. apertam-se. unem-se. dizem coisas uma à outra. e ficam uma com a outra.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ao lado estava uma rapariga com os olhos de uma cor clara e a pele corrigida pela base. em frente estava um rapaz com barba curta. falavam tão perto que os narizes quase se tocavam.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

tanto queixume que nem sardinhas em cardume. a rima não me aquece nem arrefece. melhor era não provar das lamentações e ouvir só quem merece interrupções. outra! que se lixe.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

- só a sopa?
- e pão.
- e o pão? é do melhor, não é? não encontra deste em lado nenhum. pudera! sou eu que o faço.

paguei e saí agradado com a atitude positiva do padeiro.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

sim, um abraço. com os dois braços fechados na intimidade de quem se funde.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

tropeçar sempre foi uma forma de começar. já o dizia eu, antes de o ter repetido agora. quero essa tua pessoa para ser comigo uma pessoa só. linda.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

após a colecta de estupesuficientes, o escárnio e o mal só de dizer sossegaram rendidos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

de repente eras uma pessoa. já não eras como as outras. e eu então a amar-te.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

em lendo as coisas certas, a vida muda. muda, não se cala. nem se intercala nem escolhe esta ou aquela ala. ala que se faz tarde, muda.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

em rigor, palavras nem vê-las. palavras que eu escreva ou transcreva, pelos dedos ou pelos medos. alhadas reincidentes não são acidentes.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

concentrei-me no lápis e risquei ao acaso um papel. decido não me lamentar e depois decido outra coisa qualquer. interessa decidir ou ninguém nos leva a sério.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

as coisas não começam, apenas. as coisas começam por acabar. quando começam, as coisas começam a acabar. e vão acabando, depois de começar. começar só existe quando se começa. depois de começar, o que há é o acabar. enquanto acabam, as coisas ainda existem. até não haver mais nada para acabar. e aí, quando já não há mais nada para acabar, o que começou por acabar, deixa de existir.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

é certo que há sempre um desconhecido, um destemido ou um desgovernado. acabadinho de fazer, o homem nunca se dá conta da figura que faz. talvez dê conta da figura que fez. talvez soletrando ou trauteando. valha-nos o sacrifício de entender o que nos traz.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

Estacionei e apercebi-me dele pelo retrovisor. Pediu a moedinha da praxe. Acedi como de costume. O teatro começou antes de eu ter entrado. Ali mesmo na rua. Não percebi o texto mas o homem desenrascava-se bem na sua própria confusão. Cheguei em cima da hora e ouvi as pancadas na bilheteira, ainda a tempo de um inesperado "bom desconto" para "um lugar de excelência". Confirmado e agradecido. No fim, a cinematografia que verte do teatro é nele ver projectado o filme da minha vida.

terça-feira, 19 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011


vou escrever tudo o que não tenho para dizer.
espero ter sido esclarecedor.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011


são quase seis da manhã. nunca tive especial prazer em deitar-me tarde. e cada vez tenho menos interesse nisso. hoje estive num concerto em que me diverti imenso e me desgastei na mesma proporção. estou cansado mas fiquei até a casa fechar. simplesmente porque encontrei gente com quem tive o enorme prazer de conversar. habitualmente não falo muito. as pessoas acham-me aborrecido por isso mesmo. o que as pessoas não percebem é que aborrecidas são as conversas que me propõem. não nutro a menor satisfação pela maior parte das conversas que me acontecem. então o silêncio é uma forma brilhante de sintonia. é tão raro, mas tão raro dar de caras com gente que aprova uma paixão que eu tenho pelas conversas substanciais. quando acontece não resisto. mesmo quando à volta já só resta um chão imundo com o que resta de uma noite bem passada.



sexta-feira, 8 de abril de 2011


um dia destes o diafragma vai libertar-se e a tua língua vai querer envernizar-me o abdómen. as loucuras sempre curaram as doenças normais. os cobertores já devem ser demasiados não escutes as conjugações desgastadas. ouve a perplexidade desconexa e a exuberância dos crimes desviantes. encaixa-te no tempo e dá-lhe corda.


quinta-feira, 7 de abril de 2011


é o costume. quem o vê na rua não dá cinco tostões por ele. postas as mãos na massa é lindo vê-lo trabalhar.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011


de repente há pessoas que se lembram. que aparecem. aquelas já arrumadas numa prateleira de memórias. reaparecem e renovam uma importância que afinal têm. as vedetas não poupam nas felicitações. agradeço mas não acredito. desconfio. e depois há aquele no canto a bater palmas que veio porque quis e vai-se embora antes de ser notado. por definição a surpresa vem sempre de onde menos se espera. e eu gosto assim.


sexta-feira, 1 de abril de 2011


se bem que tudo o que importa é um corpo a ferver. e em todo o caso eu nunca gostei de abrir as cartas do banco. a ver se pega o léxico desenvolto e abundante no contágio por comportamentos de risco. bastava a ebulição. o resto é letra minúscula decerto. em paradeiro incerto chama-se pelos dias desavindos que o certo é não vir ninguém ao canto da sereia. servia-se uma alucinação dose dupla a dois pedia-se por medida e nunca se encaixava como devia ser. era um fogo posto a arder nas cinzas de um incêndio recesso do dia anterior.